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Levitas na Forca

– Agora só falta escolher o nome para a banda.
– Isso é fácil. Meu irmão tem o dom de achar nomes legais na Bíblia.

Para muita gente do rebanho, a Palavra de Deus funciona como uma espécie de coleção de livros com múltiplas utilidades. O pastor vê o povo abatido e decide pregar sobre o valor da fé. Basta uma Chave Bíblica em mãos para literalmente abrir os textos que serão “encaixados” em sua mensagem dominical.

No ministério de música, o expediente é usada com pobreza similar. A escassez de referências neotestamentárias sobre música praticamente empurrou alguns para o Antigo Testamento. Com o mesmo tipo de método preguiçoso que caracteriza a preparação de mensagens de alguns pregadores, bastou pinçar um versículo ali e outros acolá para “restaurar” o ministério levítico.

A estratégia tem-se revelado bem-sucedida, afinal boa parte dos músicos não conhece o que toca, não analisa o que canta e não reflete sobre o que diz crer. A categoria tem uma garganta hipertrofiada que lhes permite deglutir heresias de calibre variados. Brigam com a liderança por causa de sapos minúsculos, mas abrem a boca (e a guarda) para engolir teorias pra lá de questionáveis.

A maioria dos pretensos levitas desconhece princípios elementares das Escrituras. Afinal, é bem mais fácil usar expedientes cômodos como empunhar um shofar ou batizar a banda com a palavra “arca”. Da aliança, não a de Noé, ressalte-se. Desconheço levitas que em suas igrejas exerçam função de juízes (Dt 17.8,9) ou sejam responsáveis por zelar pela saúde dos quem têm lepra (Dt 24.8), por exemplo.

Com uma espécie de toque de Midas ao contrário, para a tribo de incautos a Bíblia deixou de ser fonte de inspiração ilimitada para tornar-se mera camisa-de-força. Em “ministrações” lamurientas, há quem confesse querer “ir além do véu”. Na verdade, o tecido que lhes venda os olhos parece ser ainda mais espesso que aquele rasgado de cima a baixo no momento da morte do Senhor. O triste é que não temos Saramagos ou Meirelles para transformar esse tipo de cegueira em arte…

Ululante lembrar que o arcabouço frágil reflete-se na produção musical fugaz e medíocre. Em certas plagas, começam a aparecer soluções um tanto inusitadas para contornar o problema da falta de inspiração (e transpiração). No ano passado, uma Igreja Metodista de Chicago usou U2 durante a celebração da Ceia, repetindo o que havia acontecido em várias igrejas, incluindo a emblemática Hillsong Church, na Austrália.

No início de maio, o set list na igreja NewSpring Church incluía I surrender all (Tudo entregarei) e The best of you, do Foo Fighters. Aqui no Brasil, na semana seguinte as crianças da Ibab se prepararam para homenagear as mamães ao som de uma curta e elegante versão instrumental de Eu sei que vou te amar (Tom Jobim / Vinicius de Moraes).

Oro com fervor para que os levitas brasileiros jamais abracem esse tipo de estratégia. A julgar pelo mau gosto recorrente, certamente introduziriam nos cultos as obras poéticas de Sandy & Júnior e Amado Batista. Tarimbados em criar extravagâncias supostamente bíblicas, certamente evocariam o nome um tanto “eclesial” do cantor brega goiano. Gol contra para os presbiterianos que não têm seu “amado”. =]

Na década de 80, Steven Patrick Morrissey cantava sobre o pânico instalado nas ruas de Londres e de Birminghan. No final de Panic, canção do álbum Rank, a sentença contra os DJs era explicitada:

Because the music that they constantly play
It says nothing to me about my life
Hang the blessed D.J.

Porque as músicas que eles sempre tocam
Não me dizem nada sobre a minha vida
Enforquem o abençoado DJ

Tomo emprestado os versos dos Smiths para inspirar minha oração pelos levitas, rogando que Deus lhes abra os olhos do coração e as janelas da alma. No patíbulo, uma união simples já resolve tudo. Basta trocar “a corda” por “acorda”. Acooordem, levitas! Nossos ouvidos lhes serão eterna e ternamente gratos.

Texto de Sérgio Pavarini via Cristianismo Criativo.

Troquei a Marcha pela Parada

Aconteceu domingo passado. No caminho de volta para casa, eu e minha esposa nos olhamos e de alguma forma entendemos que, se nada mudar, no próximo ano estaríamos de volta a Parada do Orgulho GLBT, e bem longe da Marcha para Jesus. Não que eu esteja esperando ansiosamente pela Parada ou algo assim, mas se ela acontecer no próximo ano, vou me esforçar para estar lá, e quem sabe para oferecer bem mais do que puda nesta última.

Também não sou totalmente contra a Marcha. Foi numa Marcha que minha esposa me achou estranho pela primeira vez. E foi numa Marcha que eu comecei a perceber também como uma multidão de pessoas, que se dizem cristãs, andando por famosas avenidas de uma megalópole, se torna uma grande oportunidade para poucas pessoas satisfazerem vontades egoístas quando “agraciadas” pelo dom divino do microfone. Portanto, a experiência foi boa.

Aceitei um convite do Jota para ir até a Parada e ajudar o pessoal da SexxxChurch a distribuir um kit que acompanhava um copo d’água e um pouco de amor para as pessoas que estivessem por lá. Para enxergar a Luz é preciso ter coragem de abrir os olhos, e ter os olhos abertos é enxergar aquilo que muitos não querem ver. Mais uma vez fui levado por Deus a entender o que ele já havia me dito várias vezes antes. Que a minha obediência a Palavra, vale muito mais que qualquer música que eu cante ao final de uma caminhada de algumas horas.

Me chamou a atenção o grande envolvimento de heterossexuais na Parada Gay. O mesmo não acontece com os não-cristãos em relação à Marcha. Me leva a pensar no quanto os cristãos por trás da Marcha deixaram de aprender com o restante da criação enquanto se enjaulavam e rotulavam “sacro” ou “impuro” aquilo tudo o que Deus criou. “Jesus ama a todos”, não é mesmo?

Está na hora de a Marcha dar uma Parada.

Isabella e o Sensacionalismo da TV

Quando termina o Globo Rural, os créditos exibem uma lista de consultores, especialistas em agricultura e pecuária, que ajudam os jornalistas a avaliaros fatos e a produzir o noticiário rural. Os outros telejornais também deveriam contratar especialistas. Sugiro um grupo formado por um filósofo, um sociólogo, um urbanista e um psiquiatra.
 
No caso Isabelle, por exemplo, o grupo de especialistas se ocuparia em demonstrar aos jornalistas que nao se trata de um caso policial, mas sim de um caso de saúde pública, ou melhor, de doença social. Nao é um ladrao que rouba por ganância ou um traficante que busca lucro. Trata-se de um pai, suspeito de defenestrar a própria filha do 6o andar.
 
Sao Paulo, com seus 10 milhoes de habitantes, produz de tempos em tempos algumas aberraçoes sociais que sao, antes de mais nada, casos de patologia. O esquartejador, o médico que dopava adolescentes para praticar abusos sexuais, o estudante que abriu fogo contra a platéia no cinema, vários chacineiros e seriais killers. Estas pessoas necessitam, antes de tudo, dos rigores da lei, sem duvida, mas, logo em seguida, de tratamento médico.
 
Na 6a feira a TV Globo passou toda a manha fazendo entradas ao vivo da frente da delegacia. Nao havia novidades e a repórter repetiu as informaçoes 3, 4 vezes apenas para marcar presença e chamar os telejornais do meio dia. A TV Record usou o caso Isabelle para promover a estréia do jornalista Roberto Cabrini no Domingo Espetacular. Sem contar o velho destempero do Datena.
 
Nao se trata de nao noticiar. Notícia é notícia e tem que ser dada, mas é necessário conceituar os fatos como eles sao. Nao se pode tratar um problema social desta ordem apenas com sensacionalismo.
 
Fonte: BlueBus
 
Não tenho nada a dizer a respeito do caso Isabelle. Nada posso fazer além de lamentar a morte da criança e orar a Deus que conforte as pessoas que a amavam. Mas resolví postar a respeito da violência com que a mídia brasileira lida com o caso. "Violentando" nossas mentes com informações não solicitadas e que, literalmente, não interessam a ninguém mais que as pessoas envolvidas no caso. Porém, a forma como nossa mídia impõe esse assunto, faz com que a grande maioria da população, submissa aos noticiários sensacionalistas, enxerguem a menina como se fosse a própria filha, irmã ou coleguinha, e pior, sofram e chorem por alguém que nunca sequer amaram. Até preletores e ministros, atingidos ou não pelo sensacionalismo gratuito, têm usado a história para amolecer corações de suas platéias.
 
Pra terminar, queria chamar a atenção para uma palavrinha: temperança (ou domínio próprio). Nem frieza, nem indiferença, mas temperança.

O que um novato deveria aprender segundo Dallas Willard

Encontrei o texto abaixo em inglês no dLIVEr blog e traduzi (ou tentei) para o português. Me chamou a atenção a ênfase que o Willard dá para a questão do estar sozinho. Ultimamente tenho ouvido em vários lugares apelos para que eu desenvolva uma disciplina de silêncio, descanso, estudo e oração em momentos onde estou sozinho. O texto abaixo só reforça a importância disso.
 

Jim Pace: Se você está começando…Nós trabalhamos com um monte de pessoas que são novas em seus relacionamentos com Cristo. E como você… Quais são as coisas que você aprende no decorrer dos anos que são mais úteis em os ajudar a, quer dizer, não só evitar algumas das coisas que talvez nós tenhamos caído, mas o que você acha que são as coisas mais importantes para ajudar novos crentes a ver?
Dallas Willard: Bom, eu realmente acho que as coisas mais importantes repousam na área da solidão e estudo, e ensinando-os a passar algum tempo sozinho, por períodos de tempo e, em seguida, intercalá-los com períodos de estudo.

Eu penso que, tanto como a solidão é a mais importante das disciplinas fundamentais, o estudo é o próximo da lista. E assim você deve guiar os seus estudos. Precisa ajudá-los a saber o que ler, e a…

Então, coisas como ficar na comunidade, conversando com outros cristãos, e falar de coisas que são realmente importantes para eles. E, em seguida, orando sobre essas coisas com outros cristãos. Eu acho que estes são os fundamentos para o novato. E, em seguida, à medida que avançam, dependendo do que Deus parece estar os vocacionando, você pode dar alguns tipos diferentes de aconselhamento. Mas para o iniciante, eu realmente acho que isto é crucial.

Assim, eu os ensinaria a ir a um quarto silencioso e sentar-se e parar por algum tempo. Os habituar à ideia de que nem sempre eles precisam estar fazendo algo.

Eu poderia ensiná-los como experimentar a beleza. A beleza é uma importante disciplina espiritual. É um grande dom de Deus, a beleza. E então eles precisam integrar isto - que poderia ser  nas canções. As canções poderão ajudar alguns deles; infelizmente, não são muito bonitas, mas há algumas bonitas.

Mas aprender a ficar sozinho, e aprender a estudar. Em seguida, a partilhar e, em seguida, a orar com outras pessoas sobre isso, eu penso que é … Esse é o caminho que eu sugiro.

Agora, é claro, eles devem tentar encontrar uma comunidade para estar inseridos, e fazer as coisas padrão também. As coisas que estamos falando aqui. Dar, testemunhar, e assim por diante. Estas são importantes ações também. Assim, eu penso que se você tiver uma pessoa e a iniciar e mantê-la em comunidade, então isso vai dar certo. Portanto, é preciso ensiná-los sobre discipulado e tudo isso, e é necessário levantar a questão que eles estão aprendendo a abençoar aqueles que os amaldiçoam e assim por diante. Correto. Mas isso vem à medida que avançam.

 

Deus é cruel!

Diálogo fictício entre dois amigos. Baseado em fatos reais.

- Você não vai acreditar!
- O quê aconteceu?
- Lembra daquela entrevista que eu fiz naquela super empresa já tem mais de um mês?
- Aquela que eles te adoraram, mas não retornaram mais?
- Pois é esta mesmo! Acabaram de me ligar!
- Sério? E ai?
- E aí que eles querem que eu comece mês que vem.
- Mas você já não está super bem empregado?
- Eu não só estou super bem empregado como, além desta empresa, ainda tem uma outra me procurando pra marcar entrevista.
- Poxa vida!
- Acredite se quiser! O interessante é que orei ontem mesmo pela minha vida financeira, e as propostas são muito boas.
- Rápido, né?
- Incrível! E tem mais! Há dois dias eu presenteei meu irmão com um aparelho eletrônico super caro e cheio de recursos que eu estava querendo vender, mas aí pensei: “me deixa agradar meu irmão vai”.
- E você acha que isso tem a ver com essa oportunidade ter dado certo depois de tanto tempo?
- Nunca vou saber. Talvez seja pelas 24 horas de jejum que eu fiz há quatro dias
atrás.
- Mas você acredita nesse lance de jejum e consagração?
- Não sei direito, mas tem como crer nisso com a minha mente? Talvez eu deva apenas aceitar com o coração.
- É verdade…
- De qualquer forma, só tenho a agradecer a Deus por ele ter me colocado nesta “fria” de ter que decidir entre três super oportunidades de trabalho. É como diz aquele adesivo de carro lá…
- Que adesivo?
- Deus é cruel!

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